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O menos será (novamente) mais

Em carnaval, 09/03/2011 às 4:14 am

A ironia tomou conta do Carnaval 2011, pois, justamente em um ano que se esperava a disputa em mais alto nível, com onze escolas à caça de Paulo Barros e seu pavão tijucano, percalços, incidentes e acidentes transformaram a máxima do ‘menos é mais’ em lema das agremiações do Grupo Especial.

Voltamos à década de 90, quando a valorização do chamado desfile técnico encontrou seu auge, simbolizado nos desfiles da Imperatriz, sob o comando de Rosa Magalhães, dona dos títulos de 94, 95 e 99, além dos anos de 2000 e 2001. A mesma Rosa que protagoniza a volta à cena da técnica perfeita como peso principal para a disputa do título de campeã do Carnaval carioca. Mas agora a carnavalesca não comanda mais as bandas da Leopoldina. Seu bairro é o de Noel, terra da Vila, a melhor dentre as 12 escolas da elite, em 2011.

Em um ano de exceção, quando três escolas já entraram na partida sabendo de sua derrota, erros foram se acumulando na Sapucaí, como a catástrofe de evolução do Salgueiro, o confuso desenvolvimento do enredo da Tijuca e a estética abaixo das expectativas da Beija-Flor. Sendo assim, o favoritismo foi passando de mãos, como um tamborim em chamas, restando assumir a responsabilidade quem menos pecou: Vila Isabel.

Alegorias bem acabadas, um samba eficiente embalado por uma bateria cadenciada pela competência de Mestre Átila, fantasias requintadas e enredo desenvolvido com rigor didático por Rosa. Sem erros, a Vila passou (quase) infalível: a comissão de frente foi seu único equívoco. Mas, diante dos poréns das concorrentes, nada que afete o favoritismo, em tese, da azul-e-branca.

Voltou, então, à tona, a valorização da técnica dos desfiles, tão ligada ao calculismo da Imperatriz dos anos 90 e transformada pela Beija-Flor nos anos 2000, adicionando canto e energia ao apuro técnico. Mais uma vez, é Rosa Magalhães a protagonista deste episódio. Para completar o roteiro, basta que, de forma justa, como ocorreu com a escola de Ramos, o troféu de campeã caia sobre o colo da mestra, agora guardiã do pavilhão da Unidos de Vila Isabel. No entanto, a folia, apesar de mágica, se desenrola no mundo real, e, neste caso, nem tudo é sinônimo de justiça. Até mesmo o Carnaval.

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