Aconteceu, neste Carnaval, o que era um traço de temor generalizado, mas camuflado por todos em análises, debates, apostas. Mais do que a inventividade criativa ou a técnica apurada, em 2011, prevaleceu a força midiática. Pois somente o poder mítico da imagem de Roberto Carlos e as grandes corporações por trás de seu enredo apresentado pela Beija-Flor de Nilópolis explicam a vitória avassaladora da agremiação da Baixada, com 1,4 ponto de vantagem em relação à Unidos da Tijuca.
Antes fosse possível atribuir o massacre à força do rolo compressor dirigido pela escola nos anos recentes. Mas, diferente do que era esperado, o desfile da Beija-Flor não teve o impacto prometido, com equívocos de enredo, acabamento de alegorias, comissão de frente problemática e evolução irregular. Mesmo assim, a azul-e-branca era favorita ao título, mas sem o status de outros carnavais. No entanto, de forma diferente pensaram os jurados, com critérios discrepantes entre as notas.
Melhor apostar, então, que a vitória acachapante se deva ao peso da figura de Roberto, por mais que seja difícil afastar a ideia maquiavélica de pressão por conta das sabidas forças por trás deste Carnaval da Beija-Flor. Antes uma vitória creditada à imponência de uma lenda que ofuscou erros durante o show do que uma vitória nas costas de mecanismos escusos de manipulação da justiça dos resultados. Mas, não custa nada lembrar: como indaguei no último post, quem disse que há justiça no Carnaval?
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No Sábado das Campeãs, alguns desfiles são muito aguardados, como o do Salgueiro, que, mesmo sofrendo por conta de seu comprometido desempenho, poderá provar que tinha, de sobra, o melhor Carnaval do ano, não fosse o pecado mortal de estourar seu tempo de desfile.
E, assim como a escola tijucana, a Mangueira terá a chance de emocionar novamente a Sapucaí, com as paradonas da bateria, severamente punidas por um dos jurados. A verde-e-rosa deve vir mordida, no mínimo.
Assim como a Vila, responsável pelo desfile mais correto deste Carnaval, sendo a escola que cometeu menos erros e que merecia, claramente, melhor sorte. Poderá provar isto novamente no dia 12.
Já Imperatriz e Unidos da Tijuca trarão de volta à cena desfiles que enfrentaram julgamento final coerente com o que apresentaram.
De fora, São Clemente, Mocidade e Porto da Pedra, sendo que estas duas últimas tinham esperança de jogar a zica que as acompanha de lado, mas foram atrapalhados pelas notas da escola da Leopoldina e do morro do Salgueiro. Resultado: amargam mais um ano distantes da festa das melhor escolas. Quem sabe, em 2012?

Só quem gosta de carnaval sabe como os jurados são influenciáveis. Só quem gosta de carnaval se morde de raiva aquele que dá uma nota baixa pra Mangueira por critérios pessoais. Mas só quem gosta de carnaval – quem odiou a Imperatriz nos seus desfiles “militares”, quem sabe reconhecer um carro mal acabado, quem dá mais valor à fantasia do que à bunda da porta bandeira – sabe quem é o verdadeiro campeão do carnaval.
Dizem por aí que foi justo. Mas querer justiça no carnaval, é que nem querer justiça no futebol.